domingo, 14 de junho de 2009

As crianças e a tecnologia

Num mundo dada vez mais dominado pelas máquinas, o dia-a-dia da criança é invadido pela tecnologia de forma crescente. Um estudo sobre a utilização dos media pelas crianças portuguesas veio revelar aspectos muito interessantes que vale a pena rever. (…) O quarto transformou-se numa central de media e quase 50% das crianças portuguesas tem nessa divisão uma televisão, e mais de um terço tem um computador com acesso à Internet. O número de aparelhos no quarto aumenta paralelamente à idade e aos 8 anos as crianças têm ao seu dispor cerca de oito media diferentes no quarto. (…) Numa semana, uma criança ocupa cerca de 40 horas nos media, deixando para segunda linha os deveres escolares, o exercício físico ou simplesmente brincar e conversar com os pais e os irmãos, tendência que se agrava coma idade.
A inevitabilidade da utilização destas novas tecnologias é evidente, no entanto, as questões principais estão no “quanto” e no “como”. É importante que a utilização de toda esta parafernália não provoque o isolamento da criança. Quando ela se isola a ver televisão, na Internet ou agarrada ao iPod, desaparecem as relações interpessoais e diminui a importância dos afectos. Brincar, no sentido mais clássico do termo, assim como conversar com os amigos, irmãos ou pais, deve estar sempre presente na vida da criança, e os pais devem retrair um pouco a maravilhosa tentação de utilizar estas “amas electrónicas”para cuidar e entreter os seus filhos.(…) Daí a necessidade de existirem regras, simples e claras, sobre a utilização dos diferentes media. E, como sempre, o exemplo tem de vir de cima, isto é, dos pais. O lugar da televisão é na sala e nunca no quarto ou na zona de refeições.(…) O lugar do computador deve ser público e acessível a todos dentro de casa, e não no quarto da criança, onde a supervisão é nula, e a utilização de filtros para acesso a determinados sites é fundamental. Em relação a todos estes media, os pais devem elaborar regras sobre os horários em que as crianças os podem utilizar, quantas horas por dia ou por semana podem despender na sua utilização e quais os conteúdos permitidos ou não permitidos (televisão e sites).
Paulo Oom
In, LUX, 8/06/2009

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Biblioteca Digital Mundial (World Digital Library)


A Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e 32 instituições parceiras lançaram em 21 de Abril de 2009 a Biblioteca Digital Mundial, que permitirá consultar gratuitamente pela Internet o acervo de grandes bibliotecas e instituições culturais de inúmeros países. A página da web incluirá dezenas de milhares de manuscritos, mapas, livros, filmes e gravações raras, além de impressões e fotografias pertença de bibliotecas em todo o mundo e que foram digitalizados e traduzidos em diversas línguas para a abertura do site da Biblioteca Digital da Unesco. O seu acesso será público e gratuito, sem quaisquer restrições. A nova biblioteca virtual terá sistemas de navegação e busca de documentos em sete línguas, entre elas o português, e oferece obras em várias outras línguas. A Unesco e Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos uniram forças na construção da Biblioteca Digital Mundial após acordo assinado por Addul Waheed Khan, Diretor-Geral Assistente para a Comunicação e Informação, e pelo Diretor da Biblioteca do Congresso, James Billington, na Sede da UNESCO em Paris, em 17 de outubro de 2007. A proposta para a criação da Biblioteca Digital Mundial (BDM) foi feita à Unesco pela primeira vez por Billington, em 2005, quando o bibliotecário ressaltou que o projecto poderia “reunir pessoas através da celebração da singularidade e profundidade de culturas diferentes em um único esforço global”. Além de promover um entendimento internacional, o procjeto tem o objectivo de ampliar o volume e a variedade do conteúdo cultural na Internet e fornecer recursos para educadores, académicos e público em geral, reduzindo a divisão digital entre países por meio da capacitação em países parceiros.

domingo, 15 de março de 2009

Dewey, o gato que comoveu o mundo

Os livros que incidam sobre bibliotecas ou que façam a mais pequena menção a este espaço que eu tanto admiro e prezo despertam de imediato o meu interesse, levando-me ao prazer da leitura.
A rotina da pacata cidade de Spencer, Yowa, Estados Unidos, transformou-se quando Dewey, um gato, foi encontrado na caixa das devoluções da Biblioteca Pública. A directora da Biblioteca, Vicki Myron, conta a história real de um gato que fez da biblioteca, e da cidade de Spencer, sua casa: “Como é possível que um gato abandonado transforme uma pequena biblioteca, salve uma típica cidade americana e se torne famoso em todo o mundo? A história de Dewey começa da pior forma possível. Com apenas algumas semanas, na noite mais fria do ano, foi enfiado na caixa de devolução de livros da Biblioteca pública de Spencer. Encontrado na manhã seguinte, Dewey conquistou o coração de todos os funcionários da biblioteca, ao distribuir por todos gestos de agradecimento e amor. Nos anos que se seguiram, nunca deixou de encantar as pessoas de Spencer com o seu entusiasmo, vivacidade e, acima de tudo, o seu sexto sentido: percebia sempre quem necessitava mais dele. À medida que a sua fama crescia de cidade em cidade, de estado em estado e, surpreendentemente, por todo o mundo, Dewey tornou-se, mais que um amigo, um motivo de orgulho de uma extraordinária cidade rural no coração da América, que lentamente se ergueu da maior crise da sua história.”

domingo, 8 de março de 2009

A sociedade da vigilância







A Sociedade Vigilante

Autor: Frois, Catarina
Editora: ICS Instituto Ciências Sociais
Data de Publicação: 01-01-2009
Nº de Páginas: 302
ISBN: 978-972-671-228-2
Um conjunto de ensaios de proeminentes cientistas sociais nacionais e internacionais, que procuram problematizar a implementação e legitimação de vários mecanismos de controlo vigentes na sociedade contemporânea. Aqui são abordados temas como a videovigilância; o policiamento; a introdução de novos cartões de identificação; a regulação das políticas de protecção da privacidade individual; o uso e recolha de dados pessoais (estatísticos e genéticos) para fins governamentais ou comerciais. Os autores deste livro propõem-se mostrar que estar alerta, ser-se vigilante, é uma preocupação pertinente para a academia, para decisores políticos e para a sociedade civil, procurando contribuir para um debate lúcido e informado em torno destas matérias.

Empresas vão às redes à caça de dados pessoais

A partilha é a chave das redes sociais: de pensamentos a fotografias, de trabalhos a músicas. No fundo, de informação. Por isso, estas são consideradas um perigo latente pela Comissão Nacional da Protecção de Dados (CNPD). O problema não está nas redes mas na forma como as pessoas as utilizam: os próprios utilizadores disponibilizam muita informação pessoal e a partir do momento em que o fazem, ela fica lá para sempre. Muitas redes pedem e as pessoas dão voluntariamente informação sobre opções religiosas e políticas, orientação sexual, ou seja, dados que são especialmente protegidos de acordo com a lei. A partir do momento em que são oferecidos, as autoridades só podem agir quando são cometidos crimes. Em primeiro lugar há uma faceta comercial: ninguém danada a ninguém e nestas redes as inscrições são gratuitas. Logo, tem de haver algum retorno. E a informação pessoal vale dinheiro. Com base na informação dada é possível estabelecer perfis, agrupar as pessoas e fazer publicidade mais direccionada. As pessoas são catalogadas, etiquetadas, sem o saberem. Mas não são só as empresas que querem vender produtos a ficar interessadas pelos dados. Nalguns países, já há uma utilização abusiva por parte das empresas que querem contratar. Têm umas dezenas de candidatos e fazem pesquisas na Internet para decidir. As redes incentivam uma ilusão prejudicial: tenta-se incutir nas pessoas que estão numa comunidade de amigos. A informação que disponibilizamos sobre os nossos hábitos e gostos é também problemática porque permite que as outras pessoas estabeleçam uma ponte: é fácil os criminosos usarem essa informação e criar uma suposta afinidade e, em última análise, até localizarem a pessoa com uma busca simples.

In, Diário de Notícias, 14/02/2009

As redes que nos unem: a geração Facebook

As redes sociais estão na moda. Já não são só os adolescentes a gastar horas frente ao computador – as gerações mais velhas estão a descobrir as vantagens de sites como o Facebook ou o Twitter. Jornalistas e políticos também são seduzidos pela facilidade e rapidez da comunicação. Encontram amigos que já não viam há anos e trocam informação. Divulgam trabalhos e recebem notícias de todo o mundo. E sempre na mesma página. A grande vantagem das redes sociais é serem o que quisermos. Vieram para ficar…As redes sociais mais populares são o HI5, MySpace, ORkut, Linkedin, e ainda, o Last.fm e o Blip.fm (redes sociais e recomendações musicais), o QQ.com, o Qype (rede social de críticas e recomendações sobre lojas, restaurantes, bares, etc.) e o Tuenti.

In, Diário de Notícias, 14/02/2009, Patrícia de Jesus