A partilha é a chave das redes sociais: de pensamentos a fotografias, de trabalhos a músicas. No fundo, de informação. Por isso, estas são consideradas um perigo latente pela Comissão Nacional da Protecção de Dados (CNPD). O problema não está nas redes mas na forma como as pessoas as utilizam: os próprios utilizadores disponibilizam muita informação pessoal e a partir do momento em que o fazem, ela fica lá para sempre. Muitas redes pedem e as pessoas dão voluntariamente informação sobre opções religiosas e políticas, orientação sexual, ou seja, dados que são especialmente protegidos de acordo com a lei. A partir do momento em que são oferecidos, as autoridades só podem agir quando são cometidos crimes. Em primeiro lugar há uma faceta comercial: ninguém danada a ninguém e nestas redes as inscrições são gratuitas. Logo, tem de haver algum retorno. E a informação pessoal vale dinheiro. Com base na informação dada é possível estabelecer perfis, agrupar as pessoas e fazer publicidade mais direccionada. As pessoas são catalogadas, etiquetadas, sem o saberem. Mas não são só as empresas que querem vender produtos a ficar interessadas pelos dados. Nalguns países, já há uma utilização abusiva por parte das empresas que querem contratar. Têm umas dezenas de candidatos e fazem pesquisas na Internet para decidir. As redes incentivam uma ilusão prejudicial: tenta-se incutir nas pessoas que estão numa comunidade de amigos. A informação que disponibilizamos sobre os nossos hábitos e gostos é também problemática porque permite que as outras pessoas estabeleçam uma ponte: é fácil os criminosos usarem essa informação e criar uma suposta afinidade e, em última análise, até localizarem a pessoa com uma busca simples.In, Diário de Notícias, 14/02/2009

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