sábado, 7 de março de 2009

Os jornais em papel vão acabar?

Os três maiores meios tradicionais de acesso à informação estão destinados a futuros bem diferentes. É provável que os jornais em papel se tornem um objecto dirigido a nichos de mercado, enquanto a rádio e a TV se deverão fundir, cada vez mais, com o on-line, tornando-se mais interactivos.
Na realidade, as notícias não são boas para a imprensa escrita, e também não o são para a comunicação social em geral, nem para os jornalistas, em particular. E, pior do que isso, não são boas para a democracia. Mas calma. As notícias sobre a morte da imprensa escrita e sobre o declínio do jornalismo também são exageradas, ou até repetitivas. Os jornais estiveram para morrer quando apareceu a rádio. Sobreviveram-se e tornaram-se melhores órgãos de informação. Também se disse que os jornais não conseguiriam sobreviver à televisão. Sobreviveram e até prosperaram. É certo que a Internet coloca desafios completamente diferentes. Assim como é indiscutível que o ritmo das mudanças tecnológicas e a velocidade a que elas chegam à maior parte dos cidadãos não tem comparação com o gradualismo da passado, pois tudo muda de um dia para o outro em vez de levar anos a mudar. E a crise não ajuda: os cidadãos têm menos dinheiro para comprar jornais, os anunciantes cortam nos orçamentos de publicidade. Porém, o futuro da imprensa e da comunicação social é tão indissolúvel do futuro do mundo em que gostamos de viver que o jornalismo terá de sobreviver, mesmo que tenha de se reinventar.

….Quando a imprensa não fala, o povo é que não fala. Não se cala a imprensa. Cala-se o povo (William Blake, poeta e pintor inglês, 1757-1827).

In, Público, 5 de Março de 2009, José Manuel Fernandes (Adaptado)

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